À beira do fogão

Por , 13 de janeiro de 2012 13:34

Aleluia Heringer – Plataforma Terráqueos

 O dia em que meu filho chegou e disse: “se eu me conheço, jamais volto a comer carne…”, foi o marco inicial de um processo com repercussões profundas na minha forma de ser e “estar” no mundo. Ele, na época com 18 anos, assistira a um vídeo sobre abate de porcos. Ali mesmo, à beira do fogão, expressei o meu espanto, iniciando uma série de questionamentos, próprios de uma mãe preocupada: “… mas, por qual motivo?… E a proteína = carne, e o cálcio = leite? (essa é clássica!); isso não é exagero? Apressei-me, então, em expor meus estranhamentos quanto àquela “postura radical”.

Ao narrar pequenos detalhes do que assistira, meu filho convenceu-me, imediatamente, de que algo estava errado. Nessa época tínhamos o Pug, um poodle que conviveu conosco por 15 anos, que facilitou compreender que, assim como ele, os outros animais (vaca, boi, porco, galinha, macaco etc.) também sentem medo, dor, prezam pela liberdade e lutam pela própria sobrevivência. Esse foi então o primeiro conceito-chave que aprendi, ainda ali, à beira do fogão: os animais são seres sencientes. Feita essa conexão, foi fácil entender outro conceito-chave: especismo. Nossa forma de pensar, muito bem sedimentada pela nossa educação, religião e cultura, está formatada para colocar o animal humano em uma escala superior a todas as outras espécies. Agimos, legitimados por essas instituições, como se fôssemos portadores de uma senha, que para nós, humanos, torna tudo permitido, lícito e possível de fazer aos animais não-humanos.

Com a apropriação desses dois conceitos fundamentais, a compreensão e o engajamento nessa grande causa constituíram-se, então, em uma conduta desafiadora. Ao contrário daqueles que iniciam uma caminhada com tempo e destino certos, não sabia para onde estava indo, não tinha bagagem, roteiro e nem sabia se teria ou não acompanhantes. Essa tomada de decisão, que se iniciou com a recusa de ingerir qualquer coisa de origem animal, chamou não só a atenção dos familiares e amigos, como atraiu inúmeros questionamentos de ordem social, cultural, nutricional, religiosa, ética e moral, educacional, dentre outros. Não tinha resposta para tudo, mas cada pergunta se transformava em desafio e incentivo para estudos, leituras e conversas à beira do fogão. A privação de alguns alimentos fortaleceu a minha vontade de buscar alternativas, provar alimentos novos e fazer novas combinações. Digo sempre, que ao contrário do meu filho que se tornou vegano da noite para o dia, no meu caso, as mudanças vieram na proporção que aumentava o meu conhecimento sobre os diversos assuntos que envolviam a questão.

Tenho consciência plena de que sou apenas uma poeira de areia numa imensa praia, ou mesmo, uma pequena estrela na imensidão do céu. Não importa se a minha atitude hoje não irá provocar mudanças no destino dos bilhões de animais mortos anualmente pela indústria ou que são torturados nos laboratórios de pesquisas. Retomo aqui o que diz o sociólogo alemão Norbert Elias¹ (1994, p.48), que nenhuma pessoa isolada, “por maior que seja sua estatura, poderosa a sua vontade, penetrante a sua inteligência (…), pode transformar sua sociedade, de um só golpe”. Mas também é desse autor, estudioso dos processos históricos na longa duração, a ideia de que a preparação do terreno para as mudanças estruturais são oriundas das pequenas tensões e das “pressões exercidas por pessoas vivas sobre pessoas vivas” aqui e acolá, no pequeno e no miúdo das relações. Ou seja, é no continuum de seres humanos interdependentes, que nós, como uma sociedade de indivíduos, caminhamos.

¹ELIAS, Norbert. A Sociedade dos Indivíduos: Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed.,1994.

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Experiência Pessoal

Por , 11 de janeiro de 2012 15:02

Por Rogerio Rothje

Curioso como o vegetarianismo é, literalmente, a porta de entrada para uma vida mais consciente e saudável. Ao suprimir carne da sua dieta, você passa a ficar mais atento àquilo que come. E é aí que sua saúde ganha, porque não é só ao que come. É ao que bebe. Ao que veste… Até os produtos que se você usa em casa, na pele, nos cabelos…

O vegetarianismo é, para aquele que fez a opção prioritariamente por amor aos animais, o primeiro passo para uma vida vegana, isto é, sem carne e sem derivados animais, incluindo produtos que sejam obtidos através do sofrimento animal em testes difíceis de imaginar, quanto mais de narrar. Ao dispensar a proteína animal, você precisa ser mais seletivo no que deposita ao prato: mais cereais, mais sementes, mais verduras, mais frutas, mais legumes… Os refrigerantes começam a se tornar alvo de reflexão, uma vez que contém açúcar muito (mas muito!) além do que uma dieta saudável pressupõe. Assim como o sal. Sal na rúcula? No agrião? Por que, se são tão deliciosos com o sabor que tem?! (Minha opinião pessoal).

O consumo exagerado de café despenca. A ingestão de água é incrementada… E tudo isso de forma natural, paulatina e progressiva, apenas pelo fato de você, hoje, valorizar sua saúde a partir da não ingestão de carne (carne = boi, porco, ave, peixe, etc). Academia também passa a fazer parte da rotina. Caminhada diária. Corrida, bicicleta… E os resultados que se tem com eles são cientificamente superiores aos obtidos por uma pessoa que consuma carne. Você também passa a se importar com as marcas e produtos que compra, pois muitos deles são obtidos através do sofrimento* de macacos, coelhos, ratos, cães, cavalos, entre tantos outros inocentes.

Um ciclo virtuoso se estabelece no momento em que você opta pela dieta vegetariana/vegana. Ao menos foi o que aconteceu comigo. E os reflexos eu sinto no meu dia a dia. Seja porque a consciência está mais tranquila ou porque sinto muito mais disposição em todas as tarefas que desempenho ao longo do dia… Vegetarianismo e veganismo são muito mais do que escolhas. Eles se tornam seu estilo de vida. Trazem novos amigos, novas experiências e vivências, todas frutos do mesmo propósito: ser saudável e mais humano (no melhor sentido que essa palavra possa ter) no relacionamento que temos, não apenas com os animais escolhidos para a convivência ao nosso lado, como àqueles que hoje nos servem como entretenimento, exploração ou alimento.

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Onde houver ódio

Por , 17 de outubro de 2011 11:48

Dagomir Marquezi

Em 2010 aproveitei uma estadia em Firenze e peguei o trem para Assis. Desci até a catacumba da Catedral onde está enterrado o padroeiro dos animais. O homem que fundou no século 13 princípios éticos que só começariam a ser respeitados de verdade no século 21. Não tinha como não me emocionar.

Por que estou falando de São Francisco de Assis? Na minha última coluna contei sobre uma pesquisa que liga a prática de sexo com animais com um aumento de incidência em casos de câncer de pênis. Recebi 39 comentários. Todos eram muito emocionais, o que é perfeitamente compreensível. E entre os comentários encontrei muitas frases aqui reproduzidas como vieram: “câncer é pouco para esse idiotas” e “tomara que todos morram”.

Respeito essas manifestações mas não concordo com elas. Concordo com outras, que pedem proteção legal às éguas, ovelhas, cadelas etc., que são violentadas por esses homens. Quero que essa abominação seja proibida e que os infratores sejam punidos.

Gostaria também que a zoofilia também fosse combatida através da educação e de campanhas na mídia.

Meus olhos já viram cenas horrendas, de cães sendo torturados em restaurantes chineses e peixes sendo comidos vivos. Senti repulsa de todos os humanos que provocaram tanto sofrimento. Mas nem por isso me vejo no direito de desejar a morte ou doenças terríveis contra nenhum deles. Quero apenas que parem com esses horrores já.

Não sou um santo. Sorrio com maldade quando vejo um touro enfiando meio chifre no corpo de um toureiro. Mas não desejo isso.

Não pretendo desligar minhas atividades de defensor dos direitos animais dos princípios que São Francisco de Assis citava na sua poderosa oração:

“Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. (…) Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz”.

Ainda não tenho a evolução espiritual para amar um sujeito que manda enfiar funis pelas gargantas de gansos. Mas não desejo o mal deles. Desejo apenas luz em suas trevas e esperança às suas vítimas.

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Uma breve história de um vegetariano e o sabão em pedra

Por , 7 de outubro de 2011 17:59

Tudo começou em 1977 quando decidi parar de comer carne de boi e de porco. Estava estudando no antigo segundo grau e tinha um colega que era judeu libanês que passou a dividir comigo um pão francês com queijo prato que comprávamos na padaria perto do nosso colégio. Eu gostava muito de não comer mais boi e porco, mas continuava a comer de vez em quando frango e peixe. Passaram alguns anos e resolvi não comer mais carne alguma e fiquei assim por dois anos. Mas não me lembro bem porque e voltei a comer frango e peixe. Assim os anos foram passando e descobri a comida japonesa. Que tentação! Comecei a comer cada vez mais salmão. E os anos foram passando.

Um belo dia, depois de muita informação, percebi que não podia comer mais nenhum tipo de carne, pois senão não seria um vegetariano de fato. E aí, todo orgulhoso, me tornei um vegetariano e dizia aos quatro ventos que não comia cadáver. E o tempo foi passando.

Como gosto muito de limpeza lavo as mãos várias vezes por dia e gostava muito de lavá-las com um sabão em pedra glicerinado que deixava as minhas mãos limpinhas e macias. Até que um dia, por curiosidade, fui ler a embalagem e ver os ingredientes do sabão em pedra. Estava lá feito com “sebo bovino”. Na hora a minha reação foi de surpresa e indignação, como é que pode usar sebo de boi para fazer um sabão?

Para terminar esta breve história resolvi ir numa loja aqui perto de casa que vende material de limpeza e fui pesquisar a fórmula dos sabões em pedra. Todos usam sebo, com exceção do sabão de coco. Ainda vou confirmar com o fabricante do sabão de coco mas nunca mais uso sabão em pedra feito de sebo.

Moral da história, o que é que adianta não comer cadáver se lavamos as mãos com sabão feito de sebo bovino? Fica aqui a pergunta.

Marcus Borelli

Um texto de Lívia Pereira sobre o leão Ariel

Por , 19 de agosto de 2011 0:14

Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém

Se você me ama, não chore.
Se você conhecesse o mistério insondável do céu onde me encontro…
Se você pudesse ver e sentir o que sinto e vejo nesses horizontes sem fim e nesta LUZ que tudo alcança e penetra, você jamais choraria por mim.

Estou agora absorvido pelo encanto de Deus, pelas suas expressões de infinita beleza.
Em conforto com essa nova vida, as coisas do tempo passado, são pequenas e insignificantes.
Conservo ainda todo o meu afeto por você, e uma ternura que jamais pude, em verdade revelar.
Amamo-nos ternamente em vida, mas tudo era então muito fugaz e limitado.
Vivo na serena expectativa de sua chegada, um dia, entre nós…

Pense em mim assim: nas suas lutas pense nesta maravilhosa morada, onde não existe a morte, e onde, juntos, viveremos no enlevo mais puro e mais intenso, junto a fonte inesgotável de alegria e de amor.

Se você verdadeiramente me ama, não chore mais por mim….
Eu estou em paz

—–

Queridos amigos, nosso rei esta livre, esta correndo, como nunca correu antes, ele salta e brinca com seus novos amigos, outros leões, livres… Livres de todas as amarras que o prendia neste planeta, partiu para um novo reino, um reino cheio de cores e sabores novos, um reino onde não existem limitações, onde todos os seres são perfeitos em sua essência… Para nós que ficamos aqui, viverá para sempre a beleza de seu olhar, a doçura de seus toques, a força de viver que servirá de exemplo para tantos… Ariel você para sempre será o meu herói, o meu amigo, o meu confidente…

Com suas piscadinhas e sua boquinha de coelho chupando os meus dedos, os seus braços envolvendo minha cabeça… Obrigada, obrigada, obrigada, infinitas vezes obrigada por cada momento que passamos juntos, obrigada por me aceitar no seu bando… Você foi o melhor presente que Deus me deu, o mais puro e sublime presente! Você cumpriu sua missão entre nós, provou para os mundo que o amor é capaz de vencer todas as barreiras, até a barreira entre as espécies… Sim, apenas o AMOR é capaz de fazer um leão, uma fera, extremamente dominante e homem ainda mais feroz e dominante conviverem em total harmonia, trocando carinho e amor a olhar, cada toque.

Te prometo meu rei, tentar ser um ser humano melhor a cada dia, permitir que este amor me guie e me tome todos os dias e que eu seja grata sempre por tudo que me aconteça nesta vida, ser grata, sempre grata. Você será meu anjo, meu protetor e meu exemplo para todos os momentos que eu me sentir fraca, que eu pensar em desistir, não desistirei pois me lembrarei de tí, da tua força! Vai meu rei, vai correr, vai brincar, vai ser feliz leão de Deus!!!

Por Lívia Pereira – Veterinária

Mais um anjo no Céu: morreu Ariel o leão.

Por , 27 de julho de 2011 22:30

Amigas e amigos. Morreu hoje em São Paulo as 13:30 o leão Ariel que tinha ficado tetraplégico. Cerca de 62.000 pessoas se solidarizaram com ele e depois da morte de Ariel ficaram muito sentidas. Mas a partida de Ariel não será em vão se continuarmos unidos em favor dos animais, todos, inclusive dos animais humanos, ou seja,nós. Vejam o que está acontecendo na Somália, por exemplo.

Os gatos nos curam

Por , 23 de julho de 2011 0:08

Por  Caroline Connor

A maioria das pessoas acha que os gatos não fazem nada, são preguiçosos e tudo que fazem é comer e dormir. Não é bem assim!

Você sabia que os gatos têm uma missão na nossa vida?

Você já parou para pensar porque tantas pessoas hoje em dia têm gatos? Mais do que o número de pessoas que tem cães?

Aqui está uma série de informações sobre a vida secreta dos gatos. Todos os gatos têm o poder de, diariamente, remover energia negativa acumulada no nosso corpo. Enquanto nós dormimos, eles absorvem essa energia. Se há mais do que uma pessoa na família, e apenas um gato, ele pode acumular uma quantidade excessiva de negatividade ao absorver energia de tantas pessoas. Quando eles dormem, o corpo do gato libera a negatividade que ele removeu de nós. Se estivermos excessivamente estressados, eles podem não ter tempo suficiente para liberar tamanha quantidade de energia negativa, e consequentemente ela se acumula como gordura até que eles possam liberá-la. Portanto, eles se tornarão obesos e você achava que era a comida com que você os alimentava!

É bom ter mais do que um gato em casa para que a carga seja dividida entre eles. Eles também nos protegem durante a noite para que nenhum espírito indesejável entre em nossa casa ou quarto enquanto dormimos. Por isso eles gostam de dormir na nossa cama. Se eles verificarem que estamos bem, eles não dormirão conosco. Se houver algo estranho acontecendo ao nosso redor, eles todos pularão na nossa cama e nos protegerão.

Se uma pessoa vier a nossa casa e os gatos sentirem que essas pessoas estão ali para nos prejudicar ou que essas pessoas são do mal, os gatos nos circundarão para nos proteger. Quando meus gatos começaram a fazer isso comigo, eu não entendia porque eles ficavam em cima de mim ou aos meus pés. Eu soube depois que eles estavam me protegendo. Então, meus ouvidos e meus olhos buscam imediatamente ver a reação dos meus gatos para ver o que eles farão quando alguém entra em minha casa. Se eles correm para a pessoa, cheiram-na e querem ser acariciadas por essa peça, eu sei que posso relaxar.

Dívida a resgatar

Se você não tem um gato, e um gato vira-latas entra em sua casa adotando-a como lar, é porque você precisa de um gato em casa nessa época em particular. O gato vira-latas voluntariou-se para ajudar e escolheu você. Agradeça ao gato por escolher sua casa para esse trabalho. Se você tem outros gatos e não pode ficar com o vira-lata, encontre um lar para ele. O gato veio a você por um motivo, desconhecido para você a nível físico, mas em sonhos você pode ver a razão para o aparecimento do gato nessa época, se você quiser saber. Pode acontecer de haver um débito cármico que ele tem que pagar a você. O espírito que o acompanha pode ter feito algum mal a você em outra vida e deve resgatar essa dívida protegendo você nesta vida. Portanto, não afugente o gato. Ele vai ter que voltar de um modo ou de outro para realizar esta obrigação.

Os Gatos Nos Curam

Na época de Atlântida, os curandeiros usavam cristais em seus trabalhos. Os cristais eram usados como um canal de cura. Quando os curandeiros visitavam vilas distantes, eles não podiam usar os cristais pois o povo desconfiava deles achando que eles usavam magia negra. Como eles não podiam usar cristais, os curandeiros levavam gatos que exerciam exatamente a mesma função dos cristais. O povo não tinha medo dos gatos e permitiam que eles entrassem em suas casas. Desse modo, os gatos têm sido usados inúmeras vezes na arte da cura.

Onda vegetariana

Por , 11 de julho de 2011 15:57

Por questões éticas, ambientais e de saúde, cada vez mais pessoas eliminam a carne de seu cardápio

Ciça Vallerio

Enquanto o Pavilhão da Bienal do Ibirapuera se prepara para receber mais de 22 mil visitantes na NaturalTech, única feira internacional de produtos naturais do País, que abre suas portas no dia 21, adeptos da dieta sem carne celebram uma onda de ofertas. Publicações, filmes, restaurantes, serviços, sites e blogs trazem à tona um tema ainda repleto de estigmas e, muitas vezes, alvo de piadas: o vegetarianismo. Ao mesmo tempo, mitos a respeito da alimentação que exclui do cardápio itens de origem animal estão ruindo.

O mais polêmico é o conceito de que o consumo de carne é essencial para a saúde. “Estudos científicos provam que não há nenhum único nutriente essencial que só exista na carne ou que dependa dela para ser bem aproveitado pelo organismo”, avisa o paulistano Eric Slywitch, especialista em nutrologia e nutrição clínica.

A notícia é um alívio para vegetarianos que sempre escutaram que sua dieta era deficiente. A proteína animal pode se equivaler, por exemplo, a leguminosas como feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, diz Slywitch, que também é coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira e professor de pós-graduação do Ganep (Grupo de Nutrição Humana). Porém, os vegetarianos costumam cometer um erro grave: substituir carne por ovos e queijos.

Para vegetarianos ou onívoros – aqueles que consomem carne – que desejam melhorar sua alimentação, o médico escreveu dois livros que têm se tornado referência: Alimentação sem Carne e Virei Vegetariano – E Agora? (ambos pela Editora Alaúde). O primeiro ensina a obter os nutrientes e como combiná-los de forma segura para otimizar todo o potencial que a alimentação vegetariana pode proporcionar. Já no segundo título, lançado ano passado, Slywitch responde às principais perguntas de adeptos ou não e fala sobre 60 mitos que rondam o tema. “As publicações têm o objetivo de ensinar, sem fazer patrulhamento ideológico”, ressalta o especialista em dieta vegetariana, de 36 anos, que parou de consumir alimentos de origem animal na adolescência.

Entre as fontes que tratam do vegetarianismo está o livro recém-lançado A Cozinha Vegetariana, da catarinense Astrid Pfeiffer (Editora Alaúde) – que já caminha para a 2ª edição. São 60 receitas sem lactose, quase todas sem glúten e com ingredientes naturais. A nutricionista e Eric Slywitch são casados e, assim como o médico, ela é vegana. Juntos, atendem em sua clínica, uma ampla casa com direito à mini-horta orgânica, na Vila Mariana, zona sul da cidade.

Em um levantamento feito entre 644 pacientes que passaram pela clínica do casal em 2010, mais da metade segue a dieta vegetariana por razão ética, ou seja, em respeito aos animais. Saúde e questões ambientais também entram como justificativas, especialmente a que está diretamente relacionada ao impacto da pecuária. Segundo relatório emitido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de todas as atividades humanas, a pecuária é a maior responsável por problemas ambientais, principalmente a contaminação de mananciais.

Até “bad boys” como o ex-pugilista Mike Tyson abraçaram a causa. Vegano há quase dois anos, o campeão de boxe – que arrancou um pedaço da orelha de Evander Holyfield numa luta – promoveu em abril uma campanha junto com a ONG Last Chance for Animals (LCA) em prol do vegetarianismo. Em cartazes, foi fotografado beijando uma pomba ao lado da frase: Love animals, don’t eat them (Ame os animais, não os coma).

“Desde que me tornei vegano, os benefícios foram tremendos”, testemunhou para a campanha realizada pela LCA. “Tenho mais energia e equilíbrio mental. Eu nunca me senti 100% até que tirei a carne da minha dieta. Agora, não me imagino comendo carne de novo.”

O apresentador João Gordo, de 47 anos (foto de capa), que tem um quadro no programa Legendários, exibido pela Rede Record, e é vocalista da banda de metal hardcore Ratos de Porão, se diz aliviado em não compactuar com a matança e crueldade que envolve a indústria da carne. “Eu era o rei do bacon e da feijoada”, brinca. “Mas, quando se conhece como tudo é feito, a gente começa a pensar de outro modo.”

Casado e pai de dois filhos, ele é o único da família a seguir dieta vegetariana. E conta que, após se submeter à cirurgia de redução de estômago, em 2004, a carne se tornou indigesta. Inspirado em dois integrantes da banda que são veganos, mergulhou no tema. Mas o marco da virada veio um ano depois: “Em um programa que fazia, rolava uma luta no ringue, sempre cheio de gosmas. Um dia misturaram línguas de bois com groselha. Isso revirou meu estômago e vomitei. A partir daí, nunca mais comi bicho.”

Documentários e livros também funcionaram como gatilho. João Gordo encerrou de vez seu lado onívoro ao assistir ao vídeo A Carne é Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa (ONG em prol dos animais) em 2004. De lá para cá, vários outros surgiram no You Tube. Em março, o documentário Carne e Osso foi exibido no festival É tudo Verdade. O filme revela as condições insalubres às quais os empregados de frigoríficos são submetidos.

Muita pesquisa em internet, leitura de livros e revistas especializadas formaram a base do conhecimento da personal trainer Perla Góes, de 34 anos. Ela se programou para se tornar vegetariana ao longo de um ano. Primeiro parou de comer carne vermelha, depois, frango e, finalmente, peixe. “Tinha receio de perder massa muscular por falta de proteína animal”, diz.

Com a virada na dieta, há 7 anos, e orientação médica, seu corpo ficou ainda mais definido. E o que é melhor: sem suplementação alimentar de proteína. Além das novas formas, Perla ganhou uma pele mais viçosa e mais disposição física.

Longe do estereótipo que associa vegetarianismo à moçada alternativa está Maria Emília Ascenção Guedes, de 63 anos e há quase 30 adepta da alimentação sem carne. Casada e mãe de cinco filhos, todos seguem a dieta. “Não sei se posso atribuir a isso e ao leite de soja que substituí pelo de vaca, mas passei ilesa pela menopausa.”

Sua filha Ana Lúcia, de 35 anos, conta que o interesse das pessoas sobre sua alimentação vegana é grande. “Todos elogiam minha pele”, diz ela, que é formada em administração e trabalha no ramo imobiliário.

Já sua irmã, a engenheira Denise, de 29 anos, reclama dos interrogatórios. “A gente vira o centro das atenções”, diz. Mas o pior é ouvir que um prato não tem carne porque só foi temperado com bacon ou porque tem pedacinhos de presunto. “Vai explicar que não é bem assim!”

OS DIFERENTES TIPOS

Ovolactovegetariano: inclui na dieta sem carne itens de origem animal, como ovos e laticínios

Lactovegetariano: não come ovos, mas aceita laticínios

Vegetariano estrito ou vegano: exclui todos os derivados animais do cardápio. Também rejeita vestimentas e produtos de procedência animal ou que foram testados em animais

Crudívoro: só come alimentos crus ou aquecidos no máximo até 24°C, além de alimentos germinados

Vegetariano frugívoro: se alimenta de frutos, cereais, legumes e frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, etc)

Fonte: O Estado de São Paulo

Um comentário

Por , 29 de junho de 2011 21:25

Quando vejo animais de espécies diferentes, por exemplo cães e gatos, vivendo juntos e em harmonia, penso o como os seres humanos são idiotas e estúpidos quando elegem algum inimigo para lutar contra. Ora se Jesus disse para amarmos até os nossos inimigos então porque não amarmos todos os seres e começar este amor não comendo mais tipo algum de carne? Sim é possível!

PS: Na minha modesta opinião o que pode salvar os Homens, a Humanidade é a mesma razão que pode acabar com ela, ou seja, o amor e respeito aos animais,  ao meio ambiente e a Mãe Natureza.

A carne nas mãos do comodismo

Por , 13 de maio de 2011 20:00

Por Mariana Pauletti Lorenzo

A maioria dos Homo sapiens sapiens nos dias atuais possui a carne em sua dieta por mero comodismo. Não é por instinto como muitos defendem. Instinto foi quando o Homo habilis em 2 milhões de anos a.C. passou a comer carne por questões de sobrevivência. E isso ocorreu por causa da diminuição de vegetais disponíveis devido às oscilações climáticas, que levou o H. habilis a comer cadáveres de animais.

Durante toda história da humanidade a maneira de preparar a carne foi se transformando aos poucos, sendo que hoje ela praticamente nunca é comida crua, e é sempre bem temperada, enganando seu verdadeiro gosto.

Os humanos compram a carne embaladinha nos mercados, não mostrando seu passado cruel. Poucos são aqueles que pensam no processo todo que ocorreu para aquela carne chegar aos mercados. Todo o sofrimento e sangue que foi derramado ficam de baixo do tapete, ninguém vê ou busca saber. As pessoas estão dominadas pelo comodismo e pela preguiça. Cegas pela ignorância e hipnotizadas pelo sistema, vivem à mercê dos dias, na sombra. Aqueles que vão atrás do que não é visto diretamente, atingem os raios solares e, aos poucos, ficam cada vez mais iluminados.

“A repugnância por carne não é fruto da experiência, e sim um instinto. Parecia mais bonito viver com pouco e comer simples em vários aspectos”, afirma Henry David Thoreau (1854).

Ao ficar ciente da vida sofrida que bilhões de animais possuem diariamente, não é nobre da pessoa continuar contribuindo para isso. Conclui-se que é mero egoísmo. Se a pessoa se sente bem sendo egoísta e também, de certo modo, má, ela não passa de uma pessoa impura e de espírito sórdido. Se ela sentiu-se atingida ao ponto de mudar de hábitos, tirando a carne de sua dieta, mostra-se de bom espírito e pura – a meu ver.

O homem moderno não olha para uma vaca, por exemplo, e deseja sua carne. O que ele deseja é o prato feito – a carne cozida e temperada. Pode-se dizer, portanto, que o que é desejado pelo homem é o produto de um longo processo cruel, cuja persistência consiste no resultado de milhões de anos de costume.

Nas palavras de Thoreau (1854):

“Talvez seja ocioso perguntar por que a imaginação não se reconcilia com a carne e a gordura. Fico satisfeito que assim seja. Não é uma vergonha que o homem seja um animal carnívoro? Certo, ele pode viver e realmente vive, em grande medida, predando outros animais; mas é uma maneira sórdida de viver – como sabe qualquer um que põe armadilhas para coelhos ou abate borregos -, e quem ensinar o homem a se limitar a uma dieta mais inocente e saudável será visto como benfeitor de sua raça. Qualquer que seja minha prática pessoal, não tenho dúvida de que faz parte do destino da espécie humana, em seu gradual aperfeiçoamento, deixar de comer animais, tal como tribos selvagens deixaram de se comer entre si quando entraram em contato com os mais civilizados.”

Sim, é uma vergonha que o homem seja um animal carnívoro. O que ele aprecia, na verdade, não é da carne em si, mas de uma transformação desta em um novo sabor. Por um lado é carne, claro. Por outro, é mais um prato dos humanos, todo temperado e transformado, cujo verdadeiro sabor só os demais carnívoros conhecem e que instintivamente degustam da carne crua com toda vontade. Do mesmo modo como o homem acostumou-se a comer carne, pode acostumar-se substituí-la por grãos e vegetais que tenham nutrientes semelhantes com o que ela possui.

Convém citar os humanos denominados antropocêntricos, que consideram-se melhores e acima que os demais seres. Estes não possuem sensibilidade o suficiente para incorporar uma nova ótica – a de ver os animais no mesmo patamar que os humanos. Do outro lado há os senciocêntricos, que defendem a idéia de que o homem encontra-se no mesmo nível que os demais seres, não havendo uma hierarquia.

Acredito que estes possuem um nobre espírito e atingem a felicidade e satisfação ao verem que suas atitudes não contribuem para o sofrimento dos demais seres. Não são, portanto, egoístas como os antropocêntricos.

Como aponta Thoreau (1854):

“O que degrada um homem não é o alimento que entra pela boca, e sim o apetite com que é comido. Não é a qualidade nem a quantidade, mas a devoção aos sabores sensuais; quando aquilo que é comido não é pasto para sustentar nossa vida animal ou inspirar nossa vida espiritual, e sim para alimento para os vermes que nos possuem. Se o caçador gosta de tartarugas-de-lama, de ratos almiscarados e outras dessas iguarias selvagens, a dama elegante aprecia a geléia feita com pata de um bezerro ou sardinhas do outro lado do oceano, e assim estão quites. Ele vai ao açude, ela ao pote de conservas. O surpreendente é como eles, como você e eu, comendo e bebendo, podemos viver essa viscosa vida animal.”

Como se pode observar na primeira frase do trecho acima,  “o que degrada o homem não é o alimento que entra pela boca, e sim o apetite com que é comido”, levanta-se a questão da impureza do homem ao ter vontade e prazer de comer carne. Vale dizer que em caso de, por exemplo, sobrevivência, como acontece com os náufragos, é compreensível sua vontade, até primitiva, de caçar um animal e comer desesperadamente sua carne. Mas a questão é: viver com a abundância de vegetais de todos os tipos e sabores e ainda assim ter uma vontade de apreciar o sabor da carne (temperada), tal fato repousa no egoísmo, gula, impureza e até maldade.

“Nossa vida toda é alarmantemente moral. Nunca há um instante de trégua entre virtude e o vício. A bondade é o único investimento que nos falha”, diz Thoreau (1854).

É degradante ver a maioria dos seres humanos felizes ao consumir carne. Contribuem para uma tremenda maldade, alimentam seu ego e mostram-se felizes. Segundo minha ótica, estes são antropocêntricos e impuros. Indiretamente, todos que se alimentam de carne, matam um animal. O mais degradante é que a maioria nem pensa no animal que está comendo, apenas no prato feito em si.

Vale ratificar que há de certo modo uma elevação espiritual ao deixar de comer carne, pois fazendo o bem, o resultando é sentir-se bem. Os antropocêntricos podem tornar-se senciosêntricos, é preciso apenas despertá-los. Ao possuir carne em sua dieta, além do fato de, de certo modo, não ser ético, desequilibrada cada vez mais a Terra. Para poder alimentar bilhões de humanos, é preciso criar trilhões de animais. E para alimentá-los é preciso destruir milhares de hectares de florestas para plantar milhares de culturas. Milhares de toneladas de gases metano são liberados por dia, contribuindo para o efeito estufa. Em suma, “comer carne é ruim para nossa saúde, é ruim para o meio ambiente e financia diretamente crueldades flagrantes contra animais. A decisão é sua. Por favor, faça a escolha da compaixão”, como disse Paul McCartney (2010).

“E todos, após milhares de anos, tornaram-se homens cegos

Cegos pela ignorância!

Dominados pela preguiça e comodismo, ficaram sem força

Fracos, escolheram viver nas sombras, à mercê dos dias, dos costumes” – afirmo!

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